Aluno do CT ganha prêmio na 15ª Conferência Nacional em Comunicações
Notícia publicada em 7/11/2025Gerais
Álvaro José Lucena Marinho, discente do curso de Engenharia de Telecomunicações da UFRN, obteve o 3º lugar na premiação da XV Conferência Nacional em Comunicações, realizada na Universidade Federal de Sergipe (UFS), nos dias 10 e 11 de outubro. O trabalho, intitulado Detecção em Tempo Real de Equipamentos de Proteção Individual com Visão Computacional em Câmera de Borda de Baixo Custo, foi desenvolvido no Departamento de Engenharia de Comunicações (DCO), vinculado ao Centro de Tecnologia (CT) da universidade.
Disponível nos anais da 15ª Edição da Conferência Nacional em Comunicações, Redes e Segurança da Informação (ENCOM 2025), o estudo contou com a orientação dos professores José Hélio da Cruz Júnior — docente do DCO e pesquisador em processamento digital de sinais e inteligência artificial — e Luiz Gonzaga de Queiroz Silveira Júnior — também docente no DCO e pesquisador em processamento de imagens.
A pesquisa, com foco na detecção de equipamentos de proteção individual (EPI), foi inspirada na disciplina de Processamento Digital de Imagens, ministrada pelo professor Luiz Gonzaga no DCO.
O ENCOM é realizado desde 2011, tornando-se Conferência Nacional em Comunicações, Redes e Segurança da Informação em 2018, mas mantendo a sigla original. Ao longo da última década, o evento consolidou seu histórico ao reunir estudantes, professores, empresários e profissionais das áreas de engenharia de telecomunicações, telemática, redes de computadores, informática, criptografia, entre outros campos. A edição deste ano teve como sede o campus da UFS, em São Cristóvão.
Detecção em imagens
O estudo de detecção de EPI de baixo custo contou com o suporte de câmeras de IA de borda, que se caracterizam por combinar programação com tecnologia de processamento rápido e configurável. Assim, Álvaro Marinho, junto a seus professores, explorou uma metodologia que combina visão computacional em tempo real com detecção automatizada utilizando Inteligência Artificial.
A parte mais relacionada à programação envolveu a criação de um modelo treinado na plataforma Google Colab PRO, que auxiliou na percepção automatizada. Chamado YOLOv11 (sigla para You Only Look Once — Você Vê Apenas Uma Vez, em tradução livre), ele foi implantado em um equipamento fotográfico de borda, o reCamera, permitindo detecções em tempo real a baixo custo. Como resultado, os pesquisadores constataram eficácia significativa na solução estudada.

O problema pesquisado, de verificação do uso de EPIs, surge de uma necessidade recorrente em ambientes de trabalho onde não é possível realizar detecções em larga escala, com grande número de funcionários, sem tecnologia apropriada. Para desenvolver essa solução, foi necessário treinar o YOLOv11 com imagens. Após essa etapa, o modelo foi implementado na reCamera, permitindo aos pesquisadores avaliar a capacidade do YOLO de detectar o EPI em um manequim.
A robustez do modelo foi alcançada graças ao uso de cinco níveis de complexidade. Os pesquisadores asseguraram ainda a adoção de métricas de validação, para evitar erros na detecção. Um dos melhores resultados foi obtido pelo modelo YOLOv11s, versão small, com precisão de 92,3% e inferência de 0,9 milissegundos.
“Pretendemos expandir os modelos utilizados, aplicar mais variáveis de identificação, como posicionamento e quantidade, analisar o desempenho de cada modelo e obter mais resultados”, informa Álvaro sobre os próximos passos da pesquisa.
“Como trabalhos futuros, pretende-se testar a solução na detecção de outros EPIs (por exemplo, luvas, óculos de proteção e botas). Além disso, planeja-se avaliar outros modelos de IA e aplicar técnicas para redução de complexidade”, explica o professor e orientador da pesquisa, Hélio Júnior. Outra ramificação desse estudo será o desenvolvimento de um trabalho de conclusão de curso (TCC).
Graças aos bons resultados, os pesquisadores envolvidos no projeto consideram a possibilidade de comercializar a solução, que ainda está em definição. “Por lei, é dever do empregador fornecer gratuitamente os EPIs adequados, orientar e treinar o trabalhador quanto ao uso correto e, principalmente, fiscalizar seu uso efetivo. Contudo, essa fiscalização é difícil e custosa. Dessa forma, nós temos interesse em transformar essa pesquisa em uma solução comercial”, afirma Hélio Júnior.
Fonte: Agecom/UFRN. Texto: Jefferson Tafarel; Edição: Hellen Almeida; Revisão: Beatriz de Azevedo.
