UFRN e ArcelorMittal inauguram primeira Estação de Corrosão Atmosférica do N/NE

Notícia publicada em 9/07/2024Eventos Finalizados
Aryela Souza de CT/UFRN

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com a maior fabricante de aço do mundo, a ArcelorMittal, inaugurou, na última terça-feira, 2, a primeira Estação de Corrosão Atmosférica (ECA). A unidade localizada no Departamento de Oceanografia e Limnologia (DOL) foi projetada e construída pela equipe do Laboratório de Soldagem e Inspeção (LS&I), vinculado ao Departamento de Engenharia de Materiais (DEMat) do Centro de Tecnologia (CT). A ação é um marco no campo do estudo da corrosão e servirá de base científica e tecnológica para os setores industrial e acadêmico.

 

Detalhe da ECA mostrando os painéis expositores e os corpos de prova confeccionados com diferentes ligas metálicas de engenharia. Foto: Freddie Araújo.

 

A cerimônia de inauguração contou com a presença do coordenador do projeto, Sérgio Barra, e outros professores do curso de Engenharia de Materiais; dos bolsistas e estudantes de graduação, Kauana Araújo (Engenharia Mecânica) e Tiago Oliveira Melo (Engenharia Mecatrônica); da diretora do Centro de Tecnologia, Carla Wilza Maitelli; do chefe do DEMat, Cláudio Romero Rodrigues de Almeida; do representante da ArcelorMittal, José Francisco da Silva; e outros docentes e estudantes do CT.

O projeto de pesquisa aplicada tem previsão inicial de cinco anos de duração, com a possibilidade de renovação por mais cinco anos. A parceria bem sucedida com a ArcelorMittal, a contribuição do Departamento de Oceanologia e Limnologia, que cedeu o espaço para a instalação da ECA, e o incentivo acadêmico possibilitaram aproximação e integração com o setor produtivo. Esse é o primeiro Projeto de pesquisa aplicada do gênero, considerando as regiões Norte, Nordeste e Centroeste do Brasil, realizado pela UFRN em parceria com o setor industrial.

Estruturalmente, a ECA é composta por painéis expositores e equipamentos que monitoram as condições atmosféricas e as propriedades físico-químicas do meio salino. Em cada painel, serão montados 56 corpos de prova (CPs) confeccionados com diferentes ligas metálicas de engenharia, visando a extração de grupamentos de amostras em um certo período de tempo. Após seis meses, por exemplo, serão retirados três CPs de aço carbono comum e três de revestimento MAGNELIS (liga ternária ZnAlMg), quantidade que se aplica para as demais ligas metálicas utilizadas.

Equipe presente na inauguração da Estação de Corrosão Atmosférica no DOL/UFRN. Foto: Freddie Araújo.

 

A próxima coleta acontecerá em um ano, a seguinte em dois anos, a posterior em três e, assim, sucessivamente. Os corpos de prova removidos passarão por análise de perda de massa e perda de espessura (afinamento de parede), que indicará as respectivas resistências à corrosão atmosférica. A capacidade da ECA, unidade DOL, foi dimensionada para 840 CPs.

Na ECA, há ainda uma Estação Metereológica para realizar a medição de velocidade e direção do vento, índice pluviométrico, radiação solar, temperatura, umidade relativa e outros dados climatológicos. Para isso, o projeto conta com três sensores medidores de cloreto (Cl-) e três sensores de sulfatação (SO4). O intuito é analisar o comportamento dos corpos de prova em ambiente aberto e próximo ao mar, o que induz o nível máximo de corrosividade (C5-M). Estima-se que até o final do projeto haverá ciência do real grau de severidade corrosiva na orla de Natal.

O laboratório a céu aberto será um ponto de visitação e de contextualização prática para os alunos da Universidade. É uma oportunidade para entenderem a importância da teoria trabalhada em sala de aula, observando-a no mundo real. Os dados extraídos da estação servirão de norte para ensino e pesquisa científica e serão referência para o setor industrial na tomada de decisões de temáticas como materiais utilizados, vida útil, custo benefício, nível de segurança ou integridade.

“Sou muito grato por essa oportunidade, poder fazer parte de algo tão grandioso assim. Poder participar desde a confecção, desde o gerenciamento, saber que cada parafusinho desse tem a nossa mão, é muito gratificante. E também saber que isso vai fazer a diferença na nossa formação e, futuramente, quem sabe, fazer diferença no nosso currículo,” diz Tiago Oliveira Melo, estudante e bolsista do projeto, sobre a participação na construção da ECA.

De acordo com o professor Sérgio Barra, coordenador da iniciativa, o projeto é vantajoso para a Universidade não só pela aproximação com o setor industrial, mas também pela abertura de um novo laboratório e melhoria na formação dos alunos. Ele considera ainda que é benéfico para a ArcelorMittal, por proporcionar um espaço para estudo do comportamento dos produtos desenvolvidos no Brasil e no mundo, em um ambiente de corrosividade máxima. Além disso, representa um impacto positivo para a sociedade, já que garante profissionais mais preparados e qualificados para o mercado.

“Logicamente, isso é uma luta também dos nossos professores, do Departamento de Engenharia de Materiais, do Programa de Pós-Graduação, da coordenação do curso, para trazer os alunos para dentro deste projeto. Nós esperamos que cada vez tenhamos mais alunos e possamos fazer mais eventos como esse, em que possamos trazer a empresa para dentro da universidade,” finaliza Carla Wilza Maitelli, diretora do Centro de Tecnologia.

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